Viajar! Perder países!

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Viagens para quando?



Estou sempre a pensar nos sítios onde gostava de ir. E a acrescentar novos locais a essa lista mental. A fazer correcções e alterações desde que apareceram o futebolista, a flaminga e o ursinho. A maior parte das viagens mais longas, e forçosamente de curta duração, têm sido apenas para mim e para o Han Solo, por um lado por razões de orçamento, por outro porque eles ainda são pequenitos para apreciarem determinados tipos de viagens. E ainda porque, vistas bem as coisas, são das poucas oportunidades para termos algum tempo de qualidade a dois.
Mas estou sempre a sonhar com sítios onde gostaria de ir com eles. A planear quando já estarão aptos para isso. Para ser agradável para nós e para eles.
Agora com toda esta crise generalizada, em que ninguém sabe até quando terá emprego, em que mentalmente muitos se preparam psicologicamente para apertar o cinto (ainda mais do que já foi apertado) às vezes dou por mim a pensar quando, mas quando conseguirei viajar com eles? E como?
Não deixa de ser estranho, uma espécie de construção de casa a partir do telhado. Pois se há tantas outras coisas tão mais prioritárias que há a preocupação de manter. Mas esse espírito de viajante, talvez numa espécie de manobra piedosa para limitar outras preocupações, continua a imiscuir-se nos meus pensamentos, a passar à frente de reflexões mais terra-a-terra, insistentemente: quando iremos, quando iremos? Qual a melhor altura? Para ficar onde? Debaixo de telhado ou debaixo de pano (tenda)? Uma espécie de diabinho (de avião, de carro? Em Portugal, em Espanha?) que esvoaça à volta da minha cabeça, empurrando o anjinho (deve ser feito o máximo de poupança para as escolas, para as comidas, para as roupas, não sabemos o dia de amanhã…) para onde este não pode ser ouvido.
Ahhh… felizmente que os sonhos e a imaginação não têm limites… e não pagam imposto! (por enquanto...)

1 comentário:

  1. Essas coisas fazem-nos sentir bem! E isso é bom nos tempos que correm!

    ResponderEliminar