Viajar! Perder países!

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Changes

Ainda a ouvir muito Bowie, é inevitável refletir sobre uma tema indissociável do mesmo, a mudança.
Há poucos dias li que, embora lhe chamem camaleão, ele seria precisamente o contrario: em vez de se mimetizar com a envolvencia, as suas mudanças destacavam-no precisamente da envolvencia. E foi por isso que foi pioneiro em tanta coisa e por isso também que marcou tanto o mundo da música.
Mas sobre as mudanças: nós, a maioria das pessoas, e eu também, instintivamente tendemos a evitá-las. Porquê? Resume-se tudo a medo do desconhecido? Poupança de energia? Não vi até hoje nenhuma justificação convincente.
Tenho a profunda convicção de que a mudança é absolutamente essencial, a todos os níveis, para podermos evoluir. Ok, não soa a grande novidade. Talvez não. Mas penso e tento incutir naquilo que penso e faço, em coisas pequenas e grandes, que devemos mesmo forçar a mudança.
Mesmo quando nos sentimos confortáveis com determinadas práticas (ou teorias), a sua alteração, a tempos, traz-nos ums frescura que nos permite ampliar perspetivas, de outra forma impossível. Mudar de cores, mudar de tipo de livro e música que lemos e ouvimos, mudar de percursos, de lugar de férias, de corte de cabelo, de pessoas que ouvimos. De prisma de avaliar os assuntos, de pressupostos, de discurso, de comida, de tanta e tanta coisa. Apesar da primeira reação de negação há aqui uma tentação irresistível e na maioria das vezes, positiva.
Mesmo quando nos parece que uma mudança pode ser para pior, penso que mesmo assim em boa parte das vezes, vale a pena: uma mudança desencadeia ação e reação... Ao contrário da inação.
Os artistas que se deixam ficar na sua área de conforto deixam de se superar. E nós também. Cha-cha-cha-changeeeess!!

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