Viajar! Perder países!

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

Fernando Pessoa

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Música para os meus ouvidos

Dia de actividade com a família na sala do ursinho. Uma guitarra, umas folhas com música e acordes, um saco cheio de instrumentos para experimentarem no fim. Uma grande animação.
À tarde, em casa, eu na varanda a estender a roupa, aproxima-se o ursinho e diz simplesmente assim:
-Foi muito giro, a música hoje.
Mais tarde ainda, ao deitar:
Mãe - Então ursinho, de que música gostaste mais?
Ursinho: Ah, do pai a tocar viola, da mãe a cantar...
É nestas alturas que me sinto o ser mais afortunado de todos.

O polícia mau

Esta agora está na moda, a história do polícia bom e do polícia mau. Ora se eu fosse polícia era certamente o polícia mau. O polícia mau é aquele que ninguém quer ser, mas que também tem que existir, porque às vezes tem mesmo que ser. Já estou acostumada a dizer presente! quando é preciso um polícia mau, o que não quer dizer que na maior parte das vezes não me chateie ter que fazer esse papel. De vez em quando, só de vez em quando, também gostava de ter a oportunidade de ser o polícia bom. Ou até de não ser polícia nenhum. De mais para mais, de polícias maus ninguém gosta. Se calhar devia era pensar de vez em quando em ser o ladrão. Até para provocar nos outros algumas saudades do polícia mau.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Grândola, vila morena



CD Maio, Maduro Maio a tocar no carro.
-Mãe, põe a música 5, por favor. – pede o futebolista. – É que eu quero aprendê-la de cor.
-Para que queres aprendê-la de cor?
-É para quando for a uma manifestação.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Será que estou...

...constipada, ou é mais uma vez apenas alergia, que desta vez me fez dormir mal e levantar com as galinhas, quando podia ter aproveitado mais uma meia horinha de descanso?
Seria interessante ter estimativas da percentagem de alérgicos, sua evolução, medição do dispêndio que provoca, aos próprios e ao Estado e uma qualquer forma de estimativa da diminuição da qualidade de vida que acarretam. Será que estão mesmo a aumentar ou simplesmente sabe-se hoje mais sobre elas? Um eventual aumento estará directamente relacionado com o nosso modo de vida e com a forma como transformamos o planeta? Reflexões de um sábado às 7 da manhã.

É um passarinho... coitadinho!

Observação da flaminga ao ver o pato assado no tabuleiro.

Oito anos

O texto já não vem no dia certo, mas porque nesse dia e por causa desse dia estive tão ocupada, só chega agora.
Parabéns futebolista! E um enorme obrigada por teres vindo.
Curioso que, cabendo a nós, pais, o papel de educadores, foste tu, até hoje, a pessoa com quem eu mais aprendi e que em menos tempo conseguiu mudar a forma como vejo o mundo, as coisas, as pessoas e eu própria.
Oito anos e tantas descobertas mútuas, tantas alegrias, tantos risos, tantos mimos. E também tantas preocupações, apertos no coração, dúvidas e, por vezes, até, alguns pesos na consciência. No fundo o crescimento é isto, o teu, o meu, o nosso. Sobretudo oito anos de tanta felicidade de te ter aqui, de te ver crescer e tomar consciência de ti e dos outros. Admiro as virtudes que tu tens e eu não, tal como consigo encaixar melhor os defeitos que tu tens e eu não. E comovem-me as virtudes que tu tens e eu também, e sou talvez menos paciente para os defeitos que partilhamos os dois.
Um abraço muito grande e muito forte e continua sempre, assim, a ser exactamente como és.