Viajar! Perder países!

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

Fernando Pessoa

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Viagens digitais

Concentrada a fazer a compilação de dados de vários concelhos do interior norte de Portugal, deparo-me com alguma familiaridade nos nomes das freguesias... Sim, efectivamente eram nomes que conhecia de ginjeira, mesmo de cor, tal como conhece de ginjeira dos nomes das estações de metro ou de comboio quem usualmente neles viaja...
No entanto, embora já tenha viajado algumas vezes para esta zona, não a conheço tão aprofundadamente de forma a saber tão bem os nomes das freguesias... Com algum esforço para chegar aos confins do cérebro lá encontrei a explicação: um trabalho que tinha feito poucos anos antes e que também incluia uma caracterização da região. É no que dá tantas viagens digitais...

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Viagens para quando?



Estou sempre a pensar nos sítios onde gostava de ir. E a acrescentar novos locais a essa lista mental. A fazer correcções e alterações desde que apareceram o futebolista, a flaminga e o ursinho. A maior parte das viagens mais longas, e forçosamente de curta duração, têm sido apenas para mim e para o Han Solo, por um lado por razões de orçamento, por outro porque eles ainda são pequenitos para apreciarem determinados tipos de viagens. E ainda porque, vistas bem as coisas, são das poucas oportunidades para termos algum tempo de qualidade a dois.
Mas estou sempre a sonhar com sítios onde gostaria de ir com eles. A planear quando já estarão aptos para isso. Para ser agradável para nós e para eles.
Agora com toda esta crise generalizada, em que ninguém sabe até quando terá emprego, em que mentalmente muitos se preparam psicologicamente para apertar o cinto (ainda mais do que já foi apertado) às vezes dou por mim a pensar quando, mas quando conseguirei viajar com eles? E como?
Não deixa de ser estranho, uma espécie de construção de casa a partir do telhado. Pois se há tantas outras coisas tão mais prioritárias que há a preocupação de manter. Mas esse espírito de viajante, talvez numa espécie de manobra piedosa para limitar outras preocupações, continua a imiscuir-se nos meus pensamentos, a passar à frente de reflexões mais terra-a-terra, insistentemente: quando iremos, quando iremos? Qual a melhor altura? Para ficar onde? Debaixo de telhado ou debaixo de pano (tenda)? Uma espécie de diabinho (de avião, de carro? Em Portugal, em Espanha?) que esvoaça à volta da minha cabeça, empurrando o anjinho (deve ser feito o máximo de poupança para as escolas, para as comidas, para as roupas, não sabemos o dia de amanhã…) para onde este não pode ser ouvido.
Ahhh… felizmente que os sonhos e a imaginação não têm limites… e não pagam imposto! (por enquanto...)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Halloween

É um facto, o Halloween nada me diz. Nadinha. É um evento de que só me apercebi, em terras lusas, nos últimos anos. Na minha infância e juventude o Halloween era apenas uma festa longínqua que os norte-americanos festejavam (e da qual sabíamos pelas séries e filmes).
Não tenho nada contra o imaginário em causa - fui aliás uma fervorosa leitora das Brumas de Avalon na minha adolescência. Mas é uma coisa tão... importada que me passa totalmente ao lado. Às vezes são os pequenos que nos puxam para "novas tradições", mas por acaso por aqui nem eles são muito ligados ao acontecimento. Na escola dos mais novos a lembrança nesse dia ainda se chama pão por Deus. Apesar de eu não ser também muito ligada a essa tradição pelo menos é mais nossa - e recorda os tempos difíceis em que o pão por Deus dava um acréscimo relevante aos bens alimentares muitas vezes tão limitados. Realidades distantes que às vezes reconquistam actualidade. Mas hoje ninguém tocou a pedir pão por Deus. Nem tricks or treats. 

domingo, 28 de outubro de 2012

Mudança de hora

Estava-me a segurar mas tem que ser. Eu detesto esta história da mudança da hora. Um ódio de estimação há muito acarinhado. Detesto esta coisa de às 5 horas da tarde já ser noite. E sim, prefiro muito mais sair de casa de noite manhã do que chegar à noite. Ainda por cima, (ironias!) essa conversa "esta noite vai-se dormir mais uma hora..." Ao contrário, é ao contrário! É o relógio biológico, o famoso! Pois o ursinho, a flaminga e o futebolista amanhã acordarão uma hora mais cedo do que marca o relógio e diz-me a experiência que nas próximas duas semanas (pelo menos) vai ser assim!
Por isso, esperarei ansiosamente pela próxima mudança da hora, não só por ser prenúncio de muitas outras coisas agradáveis mas também porque, aí sim, os relógios biológicos jogam a nosso favor... Menos uma hora de sono numa noite mas vários dias se seguirão em que poderemos dormir um pouco mais. Volta verão...

Para Roma com amor

Sim, tenho que assumir. Sou parcial neste assunto - Roma e Woody Allen. Roma, porque é uma cidade maravilhosa, absolutamente deslumbrante, e que para além da sua imensa beleza tem outra coisa que a outras falta, que é uma alma imensa, algo de profundamente castiço que lhe dá uma grande autenticidade. Mas a Roma espero voltar, aqui e em presença física por muitas vezes. Woody Allen, porque deve ser o meu único realizador de culto, que me basta saber que o filme é dele para o querer ver. Como diz o Han Solo, nas nossas raras idas ao cinema dos últimos anos só há dois géneros: os filmes do Woody Allen e desenhos animados.
Reconheço-me imenso no estilo de humor dos filmes dele. E consegue algo de muito difícil, que é fazer humor com temas tão delicados como o amor e o sexo. Humor inteligente, claro. Humor boçal e labrego sobre os mesmos temas há por aí muito. Há uns tempos diziam que era o realizador do quotidiano. Dito apenas assim parece um pouco menorizado, acho antes que é o realizador dos sentimentos. De toda a forma afinal a nossa vida é feita de quotidianos, não é verdade?
Nos significados mais profundos do humor que faz é sublime a forma como expõe temas como a fama, a moral, sentimentos de culpa e arrependimentos, política e religião de maneira tão sarcástica, tão cáustica, afinal de contas, tão sadia!
Para Roma com amor. Uma espiral de riso e loucura, num ritmo caótico tão coincidente com o da própria cidade e os seus excessos. Uma caricatura de personagens deliciosa, as perspectivas da juventude e da maturidade em carne viva. Uma crítica mordaz e tão assertiva à fama. Genial nesse apontamento. Não foi o teu melhor filme, Woody? Talvez não. O melhor que vi este ano? Sem dúvida. Fez-me pensar? Muito. Sempre.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Tem dias...

...em que a preocupação é maior que a confiança, em que o céu é mais negro que azul, que há mais crispação que sorrisos, mais chatices que brincadeiras. O que vale é que se chega a casa e nos transformamos em lobos, ursos, cães e gatos, serpentes e memés, e ficamos soterrados por risos, saltos, corridas de mergulho que terminam em abraços. Está tudo bem.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Vira-tempo

Não, não é uma nova dança nem previsão meteorológica. Diz-me o que lês dir-te-ei quem és. O vira-tempo é um instrumento mágico que aparece numa conhecida colecção de livros juvenis. Extremamente útil, I may say. Um vira-tempo é um objecto que nos permite voltar atrás no tempo, e que nesse sentido pode, claro, ter várias utilizações. Vou falar aqui do primeiro objectivo para que foi utilizado, que é de duplicar o tempo disponível. Por exemplo, temos dois trabalhos urgentes e achamos que o tempo só vai dar para um. Pois chega ao fim da tarde, pegamos no vira-tempo e eis que ela (a tarde) começa novamente para acabar o que falta. Demasiados programas para o fim-de-semana? Bota-se-lhe o vira-tempo e dá para lavar toda a roupa que é preciso, ir a um cinema (para adultos!) e passar uma tarde de chuva a jogar jogos de tabuleiro com as crianças. E após uma noite mal passada...? Umas horas de sono extra... Uma invenção genial, não era? E que bom não seria prolongar um conjunto de bons momentos e acelerar uns tantos outros.
Quem sabe o que nos reserva o futuro? Não era o Albert que dizia que tudo era relativo??